terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Chegamos ao inicio de um recomeço. Os caminhos antigos não me levava a lugar algum, estava acomodada em um corpo, numa realidade que não era a minha. Estranho. Estranho como todas as outras vezes, as outras vezes da qual não soube escutar meu coração e simplesmente me propus a permanecer aceitando a condição que tinha sido imposta à mim. Não estou falando de um cara novo, de um novo trabalho ou uma nova escola. Não, estou tratando de mim mesma, apenas cuidando de mim. Seguindo o que meu coração me diz, ultimamente seguia minha razão e até que tudo funcionava bem, mas, de repente você está em um abismo, sem saída, olhando lá de cima, sem saber o que fazer. Pular ou permanecer ate que algo de bom aconteça e te faça feliz. E por impulso e pela primeira vez meu coração me disse o que fazer e eu o segui, era hora de me atirar no abismo, era hora de tentar descobrir realmente o que eu sou, era hora de sair da escuridão e tentar brilhar somente esta vez. Não lhe digo que o resultado possa vir ser positivo, mas tudo está se encaminhando. Sim, está. Estou sentindo pela primeira vez que meu coração é o meu guia, e que o meu arrependimento é enorme, por somente depois de 18 anos té-lo seguido agora, mas ainda à tempo de colocar tudo em ordem. Eu estou me descobrindo, me redescobrindo, me reiventando, me refazendo e antemão, me sentindo viva novamente. '

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013



- Falem o que quiser, mas prestem atenção. Ela chegou. 
Todos à volta de Nate, virou-se um instante e acompanharam a bela moça com o olhar. Passando entre eles e indo até o outro lado do pátio. Séria como sempre, só a observar o mundo que lhe rodeava.
- Só acho que ela é boa o suficiente pra você. Jimmy disse sem conter as palavras. 
- Ou talvez ela não seja especialmente feita pra mim. Nate concordou com aquele ar de perda. 
Ela já sentada no banco até então, abre seu livro de cabeceira e começa a se perder entre as palavras. Se esquecendo do mundo que lhe rodeava. 
- É incrível que ela nunca para de ler este livro, sério. A história não acaba ou o que deve ser ?
- Talvez boa demais pra ser deste mundo. Zomba Jimmy com seu ar de cafajeste. 
Mas nem eles, nem ao menos amigas de Luce sabia o porque daquele livro inacabável. Sabe quando lidamos apenas com as coisas já predestinadas e sem contradições, ou brincadeira do destino ?
Luce adorava este livro exatamente por isso, no livro somos levados a acreditar numa realidade impossível de se viver, impossível de existir. Somos levados nessa maré, onde tudo é exatamente como deveria ser. Mocinha e Mocinho, Vilãs, Dragões e Bruxas recebendo o que merece. Porque justamente a nossa vida não segue esse roteiro. 

- Pronto, acabou o momento reflexão dela. 
- Já disse milhares de vezes que ela simplesmente tem os seus momentos e devemos respeita-lá
- Os momentos no qual, caro Nate você NÃO participa !
- Acho que deixei bem claro a parte na qual que ela não quer se envolver. 
- Mas porque isso ? Você nem falou o que deveria falar. 
- Ela é boa demais pra mim, ou talvez simplesmente não quer perceber. 
- Fale caro Nate, a vida irá passar e você continuará a observa-lá, a conversar com ela como se fosse apenas mais uma amiga, o que de fato acontecerá. 

Distraída com a vida, ela sempre foi assim, ou fazia os outros acreditarem. Era domadora dos sentimentos alheiros, capaz de fazer o sentimento mais belo brotar sem perceber, pela necessidade de querer tudo ao seu modo, sendo que a vida não é assim. Nunca é, dona Lucia, nunca será.

- Ela se foi. 
- Depois voltará, temos a segunda chamada ainda. 
- Ela estava pensativa mais do que o normal. 
- Cara, talvez pensando na capacidade de ser o que é, sem perceber no que desperta. Agora vamos Nate, dona Luce não irá de passar na OAB. 

Esse era exatamente o problema de Luce, distraída demais tentando ser o que era com medo de simplesmente não ser tornar o que queria, que mal prestava a atenção no que despertava aos olhos das outras pessoas. Quando era sentimento ruim, tudo bem, nada iria acrescentar, mas quando era dos bons, daqueles que rendem as história que passava meses lendo, de querer ser s protagonista da história, de poder tonar real a vontade de se encaixar no mundo e ter alguém capaz de fazer doer o coração só de imaginar se perder. Aí era fatal. Incrível Luce, que mal sabia que a história que queria estava ali, disfarçado de cabelos pretos e sorriso de canto, que estava querendo que ela apenas esquecesse de ser, e só prestasse atenção no que foi capaz de fazer acontecer. Talvez acreditasse um pouco mais no mundo.  

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013



Acho que o meu maior defeito (ou minha maior qualidade) seja não me acomodar. Acho que tudo à nossa volta não deve se encaixar à nós e tecnicamente, fazer parte de você. Comigo isso não funciona. Talvez pela minha praticidade, ou pela personalidade. Eu não consigo me entregar à rotina. Acredito que merecemos o que essa vida nos tem à dar, seja bom ou ruim, mas que seja por inteiro. Seja algo que te faça sentir frio na barriga, que faça sua bochechas corarem rapidamente, que te faça dar o teu melhor, que te faça errar e se arrepender. Mas que te faça se sentir útil, te faça sentir vivo. Um turbilhão de sentimentos estão aqui, confusos, me fazendo perguntar se é o certo, me jogar de olhos fechados num abismo sem certeza de que o para-quedas está funcionando, mas eu vou tentar, algo em mim exige que eu volte à viver, exige que eu nade até à outra margem, com tempestade ou não. Simplesmente está me pedindo isso, está pedindo um pouco mais de mim, um pouco mais disso que eu chamo de vida. E aí, será que é tarde pra conferir o para-quedas ? Porque eu já me lancei.